Um remédio para a pressão, outro para o colesterol, um para dormir, outro para o estômago, uma vitamina que a amiga indicou, um anti-inflamatório quando a dor aperta. Cada um foi receitado em um momento, por um médico diferente. E, de repente, ninguém sabe dizer com certeza por que cada um continua ali.
O que é polifarmácia
Polifarmácia é o nome dado ao uso regular de muitos medicamentos ao mesmo tempo, geralmente cinco ou mais. Ela é comum, principalmente em pessoas mais velhas e em quem tem várias condições crônicas, e muitas vezes é necessária. O problema não é o número em si. É quando a lista cresce sem que alguém olhe para ela como um todo.
Por que a lista cresce
Cada especialista cuida de uma parte do corpo e prescreve o que faz sentido para aquela parte. Sem uma visão de conjunto, os remédios se acumulam. Há também a chamada cascata de prescrição: um efeito colateral de um remédio é interpretado como um problema novo e tratado com mais um remédio. Um anti-inflamatório que eleva a pressão pode levar a um remédio para a pressão, por exemplo.
Somam-se a isso os remédios sem receita, os suplementos, os chás e os fitoterápicos, que também interagem e raramente entram na conversa com o médico.
Os riscos de uma lista longa
- Interações entre medicamentos, que aumentam ou diminuem o efeito um do outro.
- Efeitos colaterais confundidos com doença nova, como tontura, sonolência, confusão, intestino preso e cansaço.
- Quedas, principalmente em pessoas mais velhas que usam remédios para dormir, para ansiedade ou para pressão.
- Dificuldade de seguir o tratamento, com doses esquecidas, repetidas ou trocadas.
- Gasto com remédios que talvez já não sejam necessários.
Sinais de que vale revisar
- Você toma cinco ou mais remédios todos os dias.
- É acompanhado por vários médicos que não conversam entre si.
- Surgiu um sintoma novo depois de começar ou trocar um remédio.
- Toma algum remédio sem saber exatamente para que serve.
- Usa remédios para dormir, para ansiedade ou anti-inflamatórios há muito tempo.
- Teve uma queda, tontura ou confusão sem explicação.
Como é a revisão
A revisão olha para cada remédio com três perguntas: por que ele foi iniciado, se ele ainda é necessário e se ele combina bem com os outros. A partir daí, alguns podem ser mantidos, alguns ajustados e outros retirados com segurança. Esse processo de reduzir ou suspender remédios de forma planejada tem nome: desprescrição.
A desprescrição é sempre feita com acompanhamento. Alguns medicamentos, como antidepressivos, corticoides, remédios para pressão e calmantes, precisam ser retirados aos poucos, porque a suspensão brusca pode trazer efeitos ruins.
Como se preparar para a consulta
- Leve todas as caixas, inclusive das vitaminas, dos suplementos e dos remédios que você toma só às vezes.
- Faça uma lista com o nome, a dose, o horário e, se souber, quem receitou e por quê.
- Anote os sintomas que apareceram depois de começar algum remédio.
- Separe os exames, mesmo os antigos.
E o mais importante: não suspenda nenhum remédio por conta própria antes dessa conversa.
Alguém precisa juntar as peças
Quando cada médico olha um pedaço, alguém precisa olhar o conjunto. É isso que faz a diferença entre uma lista de remédios e um plano de cuidado.
A Dra. Maria do Socorro Araújo Gouveia, especialista em Clínica Médica, faz a revisão da lista de medicamentos dentro da consulta, com a conduta explicada em palavras simples. Atendimento particular, no consultório em João Pessoa (PB) ou por teleconsulta. Veja se você se reconhece.