Entre quem tem curiosidade sobre o canabidiol, duas perguntas aparecem quase sempre: ele tem efeito colateral? E vicia? As respostas existem, e elas ajudam a tirar o canabidiol tanto do lugar de remédio milagroso quanto do lugar de droga perigosa.
Canabidiol e THC não são a mesma coisa
O canabidiol, ou CBD, e o THC são substâncias diferentes da mesma planta. O THC é o que altera a consciência e está ligado ao uso recreativo. O canabidiol não provoca esse efeito.
Os produtos de uso medicinal variam na proporção entre os dois. Pela regra da Anvisa em vigor desde maio de 2026, produtos com mais de 0,2% de THC exigem uma receita mais rígida e são contraindicados para menores de 18 anos, gestantes e lactantes. Saber o que o produto contém é o primeiro cuidado.
Os efeitos colaterais mais comuns
Nos estudos clínicos, os efeitos mais relatados com o canabidiol são:
- Sonolência e cansaço, principalmente no início ou com doses mais altas.
- Alterações do intestino e do apetite, como diarreia e diminuição da fome.
- Alteração das enzimas do fígado, mais frequente em doses altas e quando o canabidiol é usado junto com alguns remédios.
Na maioria das vezes, esses efeitos são leves e melhoram com o ajuste da dose. Por isso o tratamento costuma começar com dose baixa e subir aos poucos, com acompanhamento.
O ponto que mais exige atenção: as interações
O canabidiol é processado pelo fígado pelas mesmas vias de muitos medicamentos. Ele pode aumentar ou diminuir o efeito de remédios como anticoagulantes, alguns anticonvulsivantes, antidepressivos e calmantes. Junto com álcool ou outros sedativos, a sonolência fica maior.
Por isso, antes de qualquer prescrição, a lista completa do que a pessoa usa precisa ser revista, incluindo vitaminas, chás e remédios sem receita. Quem já toma muitos medicamentos ao mesmo tempo merece um cuidado ainda maior.
Canabidiol vicia?
Em 2018, o comitê da Organização Mundial da Saúde que avalia o risco de dependência das substâncias concluiu que o canabidiol não mostra potencial de abuso ou de dependência em humanos.
O THC é diferente: o uso frequente pode levar à dependência, e esse risco é maior quanto mais THC o produto contém e quanto mais cedo na vida o uso começa. É mais um motivo para saber exatamente o que está sendo usado e para evitar produtos sem procedência.
Então, canabidiol faz mal?
A resposta depende de quatro coisas: a dose, a qualidade do produto, as interações com outros remédios e as condições de saúde de cada pessoa. Produto sem procedência pode conter mais THC do que diz o rótulo, menos canabidiol do que promete ou contaminantes. Com prescrição, produto regularizado e acompanhamento, os riscos são conhecidos e monitorados.
Quem precisa de mais cuidado
- Gestantes e lactantes, porque falta segurança comprovada.
- Pessoas com doença do fígado.
- Quem usa vários remédios, pelas interações.
- Pessoas mais velhas, pela sonolência e pelo risco de queda.
- Quem dirige ou opera máquinas, enquanto não souber como o corpo reage.
Como é o acompanhamento
Quando há indicação, o acompanhamento observa o efeito, os efeitos colaterais e as interações, ajusta a dose ao longo do tempo e, quando necessário, pede exames do fígado. O retorno faz parte do tratamento.
Para entender para quais condições existe evidência, leia canabidiol: para que serve e o que a ciência mostra.
A Dra. Maria do Socorro Araújo Gouveia, especialista em Clínica Médica, avalia a indicação de canabidiol quando há indicação clínica para o caso, dentro do que o CFM e a Anvisa permitem, em consulta particular, no consultório em João Pessoa (PB) ou por teleconsulta. Conheça as frentes de cuidado.